
O Município de Mação situa-se no centro geográfico de Portugal. A orografia montanhosa constitui-se desde sempre como um forte entrave ao desenvolvimento agrícola, mas contribui decididamente para a implementação das extensas áreas florestais que caracterizam o Concelho.
Dada a importância e desenvolvimento económico para o Concelho da fileira florestal, desde há muitos anos que a Autarquia tem procurado “cuidar” deste fundamental recurso, sendo indubitavelmente uma das Autarquias mais interventivas nesta área.
O trágico verão de 2003, caracterizado pelos enormes incêndios florestais em muitas Regiões do País não pouparam Mação. Durante esse verão em apenas alguns dias foram destruídos cerca de 22.000 ha de áreas florestais, o que representa cerca de 50% do território do Concelho, obrigando a Autarquia a repensar o esforço que vinha dedicando a esta fileira.

Carrinha MacFire, C.M. Mação
Ao analisar a catástrofe ocorrida, ficou claro que as intervenções que o Município vinha fazendo, nomeadamente a criação de uma rede viária de estradões florestais, a manutenção de um sistema de vigilância fixo e móvel com viaturas dispersas no terreno para diminuir o tempo da detecção e primeira intervenção, eram claramente insuficientes para evitar futuras repetições de novas catástrofes.
Ficou claro para todos em Mação que apesar de existirem meios de combate disponíveis, nomeadamente viaturas, meios humanos e inclusivamente aeronaves ligeiras e pesadas, apesar de todos estes meios disponíveis, os resultados efectivos do combate foram muitíssimo reduzidos e o fogo passou por onde quis…
O desconhecimento natural do terreno por parte dos homens que vindos de outros Concelhos e Regiões, fez com que as infra-estruturas disponíveis, nomeadamente caminhos e pontos de abastecimento de água, não tivessem uma utilidade reduzida.
Ficou nítido para quem acompanha de perto o combate aos incêndios florestais, que o factor limitante para uma maior eficácia do combate, não foi a escassez de meios mas sim a capacidade de coordenação, o planeamento do combate e as comunicações entre os intervenientes.
Tornou-se evidente que necessitávamos de uma “ferramenta” que possibilitasse em situações similares, no futuro, planear o combate, coordenar de forma eficaz a localização das viaturas, dispor em tempo real de informação vital sobre o terreno, como sejam a localização e transitabilidade de caminhos, localização de pontos de água, tipo de combustível vegetal existente no terreno, bem como a localização exacta das viaturas.
Tendo procurado esta ferramenta no mercado, rapidamente nos apercebemos que esta não existia.
Como nos tínhamos apercebido da importância de um projecto como este, propusemo-nos a desenvolver este Sistema e assim nasceu o “MACFIRE”.

Interior da carrinha MacFire, C.M. Mação
Tendo rapidamente desenhado a “ferramenta” que necessitávamos ter ao nosso dispor, ficou claro que necessitaríamos de parcerias exteriores ao Município. Apercebendo-nos da crescente importância dos Sistemas de Informação geográfica contactámos a empresa Esri Portugal e a empresa PlogP, Lda, que desde o início se tornaram parceiros fundamentais neste projecto.
Para além destas parcerias há que salientar, que os meios humanos deste Município foram fulcrais, quer na conceptualização de todo o projecto, quer na sua execução física.
Cerca de um ano depois do seu início estava operacional. Em nosso entendimento ainda não está concluído, porque se encontra em melhoria continua.
A inclusão de novas tecnologias à medida que ficam disponíveis é essencial para que se mantenha actualizado.

TFPArcPad - Extensão ArcPad
ArcGis Desktop, ArcPAD
Track Tool Fire e TFPArcPad - Extensão ArcGIS e ArcPAD, respectivamente, desenvolvidas pela empresa PlogP, Lda

Track Tool Fire - Extensão ArcGIS
Dados: vectorial e raster
Equipamentos: 1 computador desktop, 4 laptop’s, 12 terminais TFPBox (localizador GPS) (ESTAÇÃO DE CONTROLO (EC) E UNIDADES MÓVEIS), 1 rádio de banda baixa, quatro de banda alta codificados e 1 rádio para comunicação com os meios aéreos (SISTEMA DE COMUNICAÇÕES VIA RÁDIO) e 1 estação meteorológica.
Fazendo uso da informação obtida por GPS transmitida em tempo real por meio da rede GSM/GPRS para a estação de controlo (EC), e aplicando a mesma ao SIG do Município, assente na tecnologia da Esri (ArcMap), é produzida informação de referência para a cadeia de comando. A tecnologia da Esri (ArcMap) permite-nos editar e analisar toda a informação enviada pelas unidades móveis por forma a fazer um planeamento das acções de combate mais atempado e eficaz, tornando-se portanto uma mais-valia para este projecto.
O MacFire não apaga incêndios sozinho. É apenas uma ferramenta que nos poderá auxiliar a melhorar o uso dos meios disponíveis para o combate e maximizar a sua eficácia.
Estamos certos que um dia o fogo voltará por isso preocupamo-nos em estar o melhor preparados possível para esse dia.
A utilização do ArcPad + extensão TFPArcPad permite recolher e enviar para a Estação de Controlo (EC) informação vectorial sobre posições de emergência, localização e intensidade de frentes de fogo, execução de contra-fogos, aceiros, entre outras, recolhidas no local do incêndio quase em tempo real.
A utilização do ArcGis Descktop + extensão Track Tool Fire permite compilar e processar toda a informação recebida das unidades móveis por forma a produzir mapas de apoio à decisão, ou seja, mapas com a evolução das operações e das frentes de fogo, localização e estado dos meios envolvidos nas operações de protecção civil, área do incêndio, etc.
"A Esri Portugal desde o início deste projecto se tem manifestado como um excelente parceiro do Município, pela postura e profissionalismo dos técnicos envolvidos, permitindo-nos assim atingir os objectivos propostos ultrapassando os diversos desafios que envolveram este projecto.
A qualidade do serviço e o tempo de resposta foram sem dúvida uma mais-valia para a concretização deste projecto, realçando o empenho e determinação da equipa técnica que acompanhou o projecto."
António José Martins Louro, Vereador da Câmara Municipal de Mação