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«Quadro Jurídico é fundamental»

Fevereiro 17, 2012

  Foi difícil fugir à temática das dificuldades sentidas por quem quer investir nas actividades económicas no Espaço Marítimo, quer ao nível do licenciamento e do investimento, quer ao nível jurídico, durante o Seminário “Gestão e Licenciamento de Actividades Económicas no Espaço Marítimo”. Uma iniciativa da Esri Portugal e do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) que decorreu no passado dia 14 de Fevereiro, no auditório do ISCSP, em Lisboa, e contou com mais de 130 participantes de todos os sectores de actividade ligados ao Mar.

 

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Gonçalo Magalhães Collaço, Administrador Delegado da esri Portugal, Manuel Pinto de Abreu, Secretário de Estado do Mar, e Pedro Borges graça, Coordenador do GEI-CAPP do ISCSP, na Sessão de Encerramento do Seminário

 

Manuel Pinto de Abreu, Secretário de Estado do Mar, que assistiu aos trabalhos ao longo de todo o dia, reconheceu que o «quadro jurídico é fundamental»: «se não conseguirmos criar condições para todos os que querem investir e apostar no mar português, não conseguiremos rentabilizar todo o seu potencial». Assim, o governante mostrou-se empenhado em conseguir que, «no segundo semestre de 2012, tenhamos a capacidade de dizer a um investidor quanto tempo levará a dar uma resposta às suas intenções».

A verdade é que «o regime jurídico português não está preparado para o Espaço Marítimo», reconheceu a responsável do Instituto da Água (INAG), Margarida Almodôvar, que veio apresentar aos presentes o Plano de Ordenamento do Espaço Marítimo (POEM). A jurista Sofia Galvão afirmou mesmo que «o POEM não é um instrumento que vá potenciar a economia do Mar e pode inclusivamente trazer alguns obstáculos ao seu desenvolvimento».

 

Painel_I_site.JPGSofia Galvão (Advogada), Margarida Almodôvar (INAG), Pedro Borges Graça (ISCSP), Tiago Pitta e Cunha (Especialista em Assuntos Marítimos) e João Pacheco Carvalho (Advogado e Doutorando em Estudos Estratégicos-ISCSP) debateram o Plano de Ordenamento do Espaço Marítimo e seu enquadramento jurídico

 

Uma tarefa que Tiago Pitta e Cunha, especialista em Assuntos Marítimos, reconhece que não é fácil, pois «o planeamento do espaço marítimo tem que conjugar dois lados de uma mesma moeda: o desenvolvimento da economia e a preservação do ambiente e dos ecossistemas marítimos». Assim, o Ordenamento do Espaço Marítimo «deve definir os mínimos (actividade pesqueira, acesso a barras e portos, protecção do ambiente e áreas para defesa nacional), mas permitir o máximo, criando espaços multiusos para que se possam instalar diversas actividades concomitantes», considera. «Devem ser permitidas todas as actividades económicas no Mar, desde que não ponham em causa a capacidade de os ecossistemas se manterem e regenerarem», sublinha o especialista, apontando como solução a criação de um processo de licenciamento linear e único: «a administração pública deve ser una e indivisível para os particulares».

 

Sesso Encerramento_site.jpgGonçalo Magalhães Collaço, Administrador Delegado da esri Portugal, Manuel Pinto de Abreu, Secretário de Estado do Mar, e Pedro Borges graça, Coordenador do GEI-CAPP do ISCSP, na Sessão de Encerramento do Seminário

 

O Secretário de Estado do Mar reconheceu as dificuldades apontadas pelos participantes, que encarou como «desafios a resolver», pois «é tempo de mostrar valor e não apenas potencial». Manuel Pinto de Abreu agradeceu as críticas e faltas apontadas, pois todas foram acompanhadas de propostas de solução, e deu como exemplo o trabalho que a Secretaria de Estado tem desenvolvido com os pescadores portugueses que «têm apresentado propostas bem elaboradas e exequíveis porque são feitas para a nossa dimensão», contou.

O Seminário “Gestão e Licenciamento de Actividades Económicas no Espaço Marítimo” foi uma organização do ISCSP e da Esri Portugal e contou com o Alto Patrocínio da Presidência da República.

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